terça-feira, 7 de dezembro de 2010

“Fora do livro não há salvação!”

Ziraldo: "Fora do livro não há salvação!"

Em entrevista, o cartunista e escritor fala sobre a importância dos livros na vida das crianças (e dos adultos)

Camila de Lira, iG São Paulo | 04/12/2010 09:38

 
Foto: Ismar Ingber
"O homem só chegou à lua porque, depois de Gutemberg, todo mundo teve acesso ao livro", afirma o autor
Os vários livros de Ziraldo atravessaram gerações e isso não é nenhum mistério. Outra coisa que não é um mistério para o autor é o segredo para fazer com que as crianças leiam. "Para que a criança goste de ler, leia com ela, leia para ela", afirma.
O criador do "Menino Maluquinho" defende que as escolas fundamentais deveriam se preocupar apenas em ensinar a leitura, a escrita e a compreensão dos textos, como ponto de partida para o aprendizado contínuo. "O resto, a vida, o ginásio e a universidade depois organizam e ensinam", diz. Quando o assunto é internet, Ziraldo não se opõe, mas afirma temer que a tecnologia substitua os livros
 
iG: O que os pais podem fazer para incentivar a leitura nas crianças?
Ziraldo: Passei mais de vinte anos atrás desta resposta. Até encontrá-la. Juro! Para que a criança goste de ler, leia com ela, leia para ela. Histórias para crianças eram chamadas – na época em que não havia televisão, cinema e rádio (pelo menos na Inglaterra, um país de leitores) – de bedtime stories. Eram os pais que liam os livros que estimularam, por exemplo, as Irmãs Brönte a se transformarem em grandes escritoras. Os pais e os educadores não podem fazer ideia de como é importante a presença do que se pode chamar de literatura na vida de seus filhos e alunos.
iG: E o que a escola pode fazer?
Ziraldo: A leitura é a minha preocupação imediata. É quase uma obsessão do locutor que vos fala. Eu acho que a escola fundamental brasileira devia largar tudo e ensinar só quatro coisas às crianças brasileiras, até que elas estivessem equipadas para receber o ensino curricular e aquilatar informações recebidas. As quatro coisas são: ler, escrever, contar e entender o que é ser cidadão. O resto, a vida, o ginásio e a universidade organizam e ensinam depois. O Brasil devia decidir o seguinte: a partir de hoje nenhuma criança brasileira cresce sem dominar esses quatro temas. No final do século não teríamos um só analfabeto no Brasil. E teríamos um povo capaz de escolher com lucidez o seu destino.
iG: Qual a importância dos livros?
Ziraldo: Vamos deixar de falar em literatura e falar de livros. Livros de histórias, livros que contam casos, que despertam a curiosidade das crianças para o mundo. Para fazer um país justo e feliz, bom para os filhos e os filhos dos filhos, um povo tem que saber escolher. E só se aprende isto através da palavra escrita. O homem só chegou à lua porque, depois de Gutemberg, todo mundo teve acesso ao livro e ao conteúdo que eles preservam. Fora do livro não há salvação!
iG: E a internet: facilita ou dificulta que as crianças leiam mais? Por quê?
Ziraldo: A internet é o espaço de comunicação universal de mais fácil acesso que existe no mundo. Não existe o usuário de internet, assim como existe o flamenguista, o corintiano, o comunista ou os religiosos. Não é uma categoria. Trata-se de um pedaço da humanidade que navega ali, sem aproveitar o que ela tem de melhor: a capacidade de nos passar toda e qualquer informação que procuramos.
iG: A internet pode ser usada a favor da leitura? Como?
Ziraldo: Existem sites especializados em leitura online. Alguns excelentes, onde é possível encontrar grandes obras de grandes autores. Acredito que seja uma forma de estilmular a leitura, você não acha? Apenas espero que o livro não perca, para a tecnologia, sua importância na história.

FONTE: IG

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Solte a Panela

Certa vez, em uma época de escassez de alimentos, um urso faminto perambulava pela floresta.
Com seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida que o conduziu até um acampamento de caçadores e, percebendo que não havia ninguém, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela apanhou uma enorme panela de comida.Quando a panela já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda sua força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo. Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo. Na verdade, era o calor da panela...
Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava.  O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.
Começou a urrar muito alto e, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo.
Quanto mais a panela quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia. Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima da fogueira, segurando a panela de comida.
O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu imenso corpo, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.
Quando ouvi esta história de uma determinada pessoa, percebi que, em nossa vida, por muitas vezes, abraçamos certas coisas que julgamos ser importantes. Algumas delas nos fazem gemer de dor, nos queimam por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgamos importantes. Temos medo de abandoná-las e esse medo nos coloca em uma situação de sofrimento, de desespero. Apertamos essas coisas contra nossos corações e terminamos derrotados por algo que tanto protegemos e defendemos. Para que tudo dê certo em sua vida, é necessário reconhecer, em certos momentos, que nem sempre o que parece ser bom vai lhe dar condições de prosseguir.
Quantos, sem visão nenhuma, se agarram a situações, a pessoas, a vícios sem conseguir enxergar que, na verdade, estão se agarrando ao sofrimento, à escravidão... Quantos preferem sentir dores profundas que agir para libertar-se. O medo da solidão, o medo de errar ou de ser julgado os prende a um sofrimento contínuo e desgastante. O medo os escraviza e os torna cegos. Outros não largam o que lhes faz sofrer por apego... Mas veja bem... Tudo na vida tem a dose certa para ser vivido. É por isso que Jesus nos disse que não devemos nos apegar a nada neste mundo, nem mesmo à pessoas, à cargos, à posição social... Porque o apego gera cegueira, gera paralisia, acomodação, gera escravidão...O apego, com o tempo, gera dor, sofrimento, angústia... Neste dia eu te pergunto: o que em sua vida tem gerado em você dor e escravidão? Que tipo de apego tem cegado os seus olhos?

Não tenha medo de mudar, porque as mudanças são necessárias e quem não está preparado para isso, corre o risco de ter o mesmo fim do urso... Tenha a coragem e a visão que ele não teve. Retire de seu caminho tudo aquilo que te faz mal, que você sabe que está lhe impedindo crescer. Ore e escute o que Deus tem pra lhe dizer e não se apegue a nada deste mundo.

Solte a panela e seja feliz!



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Os detalhes da vida… para refletir

Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: “Tenho algo importante para te dizer”. Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.

De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.

Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: “Por quê?”

Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou “você não é homem!” Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.

Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.

Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e voltei a dormir.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possivel. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus examos no próximo mês e precisava de um ambiente propício para prepar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.

Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. “Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio” ,disse Jane em tom de gozação.

Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo “O papai está carregando a mamãe no colo!” Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho “Não conte para o nosso filho sobre o divórcio” Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.

No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse “Todos os meus vestidos estão grandes para mim”. Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso… ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração….. Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse “Pai, está na hora de você carregar a mamãe”. Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo. Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas. Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras: “Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo”.

Eu não consegui dirigir para o trabalho…. fui até o meu novo futuro endereço, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia…Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela “Desculpe, Jane. Eu não quero mais me divorciar”.

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa “Você está com febre?” Eu tirei sua mão da minha testa e repeti “Desculpe, Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: “Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe”.

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama - morta.
Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio - e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!

Muitos fracassados na vida são pessoas que não perceberam que estavam tão perto do sucesso e preferiram desistir…

terça-feira, 18 de maio de 2010

A Arte do Silêncio

Certa vez, um homem tanto falou que seu vizinho era ladrão, que o vizinho acabou sendo preso.
Algum tempo depois, descobriram que era inocente.
O rapaz foi solto e, após muito sofrimento e humilhação, processou o homem/vizinho.
No tribunal, o homem/vizinho disse ao juiz: - os meus comentários não causaram tanto mal...
E o juiz respondeu:
- Escreva os comentários que você fez sobre ele num papel. Depois pique o papel e jogue os pedaços pelo caminho de casa. Amanhã, volte para ouvir sentença!
O homem/vizinho obedeceu e voltou no dia seguinte, quando o juiz disse:
- Antes da sentença, terá que catar os pedaços de papel que espalhou ontem!
- Não posso fazer isso, meritíssimo! - respondeu o homem.
O vento deve tê-los espalhado por tudo quanto é lugar e já não sei onde estão!
Ao que o juiz respondeu:
- "Da mesma maneira, um simples comentário que pode destruir a honra de um homem, espalha-se a ponto de não podermos mais consertar o mal causado".
"Se não se pode falar bem de uma pessoa, é melhor que não se diga nada!"
"Sejamos senhores de nossa língua, para não sermos escravos de nossas palavras."
Nunca se esqueça:
Quem ama não vê defeitos.....
Quem odeia não vê qualidades...
E quem é amigo vê as duas coisas...

domingo, 2 de maio de 2010

Avianca



http://www.youtube.com/watch?v=zcyhu6Z4-cw

Vale mais que um trocado

Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi
Por Rodrigo Ratier

"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler?, perguntei.

- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

- Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?

- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

* os nomes foram trocados para preservar os personagens.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/avulsas/221-retrato.shtml

sábado, 24 de abril de 2010

Ano sabático

Conheça histórias de quem resolveu fazer um 'career break', deixando o trabalho de lado por um longo período, para correr o mundo

Histórias de profissionais que atingem o ponto alto de suas carreiras sempre envolvem muita dedicação: noites sem sono, rotinas de trabalho superiores a 12 horas diárias, alta capacitação. Para alguns, isso é felicidade pura. Para outros, não é a única forma de ter satisfação na vida. Quem chega ao questionamento quase sempre se dedica a um período de reflexão. É o career break, ou ano sabático.

"A gente faz as coisas no piloto automático: estudamos, nos formamos, nos casamos, temos filhos. E, de repent,e estamos cheios de tarefas, mas nos sentindo pouco útil", diz Herbert Steinberg, professor da Business School São Paulo (BSP), conselheiro de administração e autor do livro "Sabático - Um tempo para crescer (Ed. Gente)". "Eu já aconselhei muitos profissionais que estavam bem em suas carreiras, mas muito angustiados, sem projetos, sem rumo. Isso independe da idade, se é homem ou mulher ou do lugar em que trabalham."

Janaína Nascimento, de 33 anos, por exemplo, é um perfeito case de sucesso. Aos 19 anos, ela comprou a casa própria. Já formada em Administração e Direito, aproveitou todas as oportunidades profissionais que foram aparecendo. Hoje, ela ocupa um cargo sênior em um banco europeu na área internacional de recursos humanos. Para exercer essa função, foi enviada do Brasil para Miami, Nova York e Londres há oito anos. Ela agarrou todas as oportunidades, mas elas também vieram com uma rotina de 12 a 13 horas de trabalho por dia, cinco dias por semana - e full time disponível no celular Blackberry. Rotineiramente, ela viaja para Nova York, além de destinos nos continentes europeu, asiático e africano.

Apesar das realizações, de estar feliz na função que desempenha e de considerar-se muito capacitada para continuar a exercê-la, Janaína decidiu que era a hora de fazer um career break.

Ciclos

"A vida humana evolui em ciclos", diz Silvio Celestino, coach de executivos da Enlevo e autor do livro "Conversa de Elevador" (Ed. Sedna, 2007). De acordo com ele, o melhor momento para fazer um sabático é quando um ciclo termina. "Um ciclo relevante não significa necessariamente algo bem-sucedido. Muitos profissionais decidiram fazer o sabático após experimentarem um fracasso, mas não é necessariamente algo feito em função de uma insatisfação. O objetivo do sabático é ser um período de reflexão para que se possa rever os horizontes e, em seguida, agir em acordo com as conclusões desta reflexão."

Janaína passará um ano "O mercado financeiro deu uma chacoalhada muito grande nos últimos 18 meses e eu cheguei à conclusão de que talvez seja essa a hora para eu pensar se eu quero continuar fazendo o que estou fazendo e onde quero estar. Existe uma série de opções e eu quero pensar exatamente no que vou fazer", conta. "Meu maior medo sempre foi acordar e estra no interior, casada, cheia de filhos, e não perceber que a vida estava passando."

O conceito de career break é comum na Europa e até incentivado por algumas empresas. De acordo com Steinberg, que passou 10 anos pesquisando o assunto, a pausa no trabalho está descrita em livros sagrados, como o Alcorão e a Bíblia. Nessas escrituras, a pausa era feita de sete em sete anos durante um ano, para que a terra se recuperasse e continuasse dando frutos. Por isso é chamado de sabático (sabath). Nos Estados Unidos, acadêmicos das universidades americanas usam o sabático para se distanciarem da rotina de aulas e tentarem encontrar outros focos de estudo em suas pesquisas. Já no mercado empresarial, esse tempo pode ser valioso para trazer um profissional mais focado e capacitado ao trabalho. Steinberg, que fez o Caminho de Santiago da Compostela em 1999, diz que a transformação é perceptível. "Eu mudei algumas coisas na carreira, passei a dar aulas e escrever livros. Mas não deixei de trabalhar. Voltei um workaholic alucinado e em paz, feliz com o que faço. Perdi o limite. Quero cada vez mais."

Rupturas

A ex-publicitária Fernanda Machado, de 36 anos, perdeu a motivação no trabalho. "Quando tocava o despertador, eu não queria mais levantar da cama. Havia perdido o encanto pela profissão", diz. Em 14 de abril de 2009, ela saiu em viagem. Passou por Berlim, Turquia, Paraty, Peru, Veneza e Cuba, em períodos de 20 dias a um mês em cada destino. Para terminar, visitou Caraíva, na Bahia. "Para esse período, usei meu Fundo de Garantia e acho que se você se programa, dá tudo certo", ensina.

Silvio Celestino alerta que quem sai em sabático deve se planejar financeiramente para a recolocação profissional. "Ela deve poupar para o período de férias e outro de volta. Se for ficar um ano fora, deve conseguir manter o padrão de vida por, ao menos, 9 meses." No caso de Fernanda, os custos atuais são menores do que quando trabalhava. "Eu tinha almoços monumentais, fazia compras surreais e hoje sei que era tudo para suprir a falta de tempo e satisfação. Tentava compensar com outras coisas."

A consultora Maria Eugência Stiavano, de 36 anos, tirou um período sabático por conta de uma hérnia cervical. Foi o sinal do organismo para que ela parasse após sofrer a morte de um amigo e passar pelo término de uma relação profissional. "Passei alguns meses na cama, olhando para o teto. Foi um período em que revi a minha vida."

Maria Eugênia não havia planejado o sabático, mas no período de recuperação da saúde fez várias viagens curtas, foi muito ao cinema, aproveitou para ler os livros que havia deixado para depois, fez alguns cursos rápidos e passeios gastronômicos. "Foi assim que aprendi a viver diferente", conta. "O maior ensinamento foi o de reaprender o tempo, discernir melhor as urgências próprias e alheias e a viver com mais qualidade. Certamente há os que discordam, mas essa Maria Eugênia de hoje é bem mais interessante", brinca.

No livro "A arte de parar" (Ed. Sextante), o psicoterapeuta David Kundtz fala sobre o conceito de tempo no período industrial e pós-industrial. Para o autor, vivemos a transição do conceito de tempo utilitarista para o conceito de tempo com conteúdo. "Kundtz ensina que você não precisa ter necessariamente grandes paradas. Elas podem acontecer no dia a dia, aos fins de semana, no mês, no ano, e em determinadas paradas na vida."

A principal vantagem para quem tira o sabático é, de acordo com Celestino, o amadurecimento e a capacidade de lidar com as emoções. "A pessoa aprende a compreender melhor a si mesma e às demais, uma competência fundamental para quem deseja evoluir na carreira e tornar-se líder." Para Fernanda Machado, só fica um conselho para quem está pensando em tirar um sabático: "programe-se e faça. De preferência amanhã."

Roteiros

Janaína Nascimento e o marido estudaram os roteiros dos países por onde querem passar, mas o tempo de permanência será decidido na hora. "Queremos ficar de 9 a 12 meses fora. Se em algum país a gente quiser passar duas semanas ou um mês, temos essa liberdade", conta. O roteiro inicial tem Camboja, Laos, Tailândia, Indonésia, Japão, a costa oeste dos Estados Unidos, América do Sul e, no Brasil, Amazônia, Pantanal, Brasília. A logística foi resolvida com o período de viagem (entre a primavera e o outono, para carregarem poucas roupas), e as passagens chamadas de "Around The World Ticket", quando há data marcada para o início e o fim, e os embarques podem ser agendados e alternados durante esse período. "Queremos ter liberdade. Minha vida sempre seguiu uma rotina muito definida, agora vamos sentir quanto tempo ficaremos e para onde vamos."

Há pacotes em agências de viagem para quem quer passar por um período sabático. A Central de Intercâmbio, CI, pode programar o roteiro, hospedagem e destinos para quem quer passar por um período sabático -- seja de uma semana, um mês ou um ano. "Há pacotes que envolvem aulas em outros países, como, por exemplo, gastronomia e cinema. Outros envolvem destinos variados, que podem ser definidos pelo cliente", conta Lívia Aguiar, gerente da CI.

Fonte: http://delas.ig.com.br/comportamento/ano+sabatico+so+para+quem+pode/n1237590700413.html

quarta-feira, 21 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Pré-Conceito

1. Se você conhecesse uma mulher que está grávida e já tem 08 filhos dos quais 03 são surdos, 2 são cegos, 01 é retardado mental, e ela tem sífilis...
Recomendaria que ela fizesse um aborto?

LEIA A PRÓXIMA PERGUNTA ANTES DE RESPONDER A ESSA.

1. É tempo de escolher um líder mundial e o seu voto é importante. O comportamento dos candidatos é o seguinte:

CANDIDATO A:
É associado a políticos corruptos e costuma consultar astrólogos. Teve duas amantes, fuma um cigarro atrás de outro e bebe de 08 a 10 Martinis bebida misturada 3/4 gin 1/4 vermute branco por dia.

CANDIDATO B:
Foi despedido do trabalho duas vezes, dorme até meio-dia, usava drogas na Universidade e bebia meia garrafa de Whisky toda noite.

CANDIDATO C:
É um herói condecorado de guerra, é vegetariano, não fuma, bebe as vezes um pouco de cerveja e nunca teve relações extra-conjugais.

QUAL DESSES CANDIDATOS VOCÊ ESCOLHERIA?
Decida antes de continuar...

Candidato A:
Franklin Roosevelt
(foi presidente EUA)

Candidato B:
Winston Churchill
(Foi Primeiro Ministro Inglaterra)

Candidato C:
Adolph Hitler
(todos sabem quem foi...)

E sem esquecer a primeira pergunta: A resposta da questão do aborto...
Se respondeu que sim, você acaba de matar BEETHOVEN.

MORAL DA HISTÓRIA
Nem tudo o que brilha é ouro e nem tudo o que é ouro deve brilhar; o importante são as decisões que você toma no caminho e, como elas, te ajudam a chegar ao final. Por isso é que não devemos pré-julgar ninguém. Principalmente com a descrição de duas ou três linhas.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Amar Bibliotecária é....

"Somente os homens cultos e inteligentes amam as bibliotecárias, já os ratos as bibliotecas".

Amar Bibliotecária é... quando ela pergunta "Qual o assunto" e você responde, "AMOR".
Amar Bibliotecária é... extasiar-se no conhecimento.
Amar bibliotecária é... todos os dias poder deleitar-se nas mais linda páginas do amor.
Amar Bibliotecária é... automatizar as rotinas diárias para dedicar-se aos desdobramentos da emoção.
Amar Bibliotecária é... guardar os livros na estante e ela no coração.
Amar Bibliotecária é... viver um conto de fadas, dentro de uma antologia romântica.
Amar Bibliotecária é... fazer da periodicidade de seus carinhos o unitermo da vida em comum.
Amar Bibliotecária é... classificá-la no coração, indexá-la na mente e encaderná-la nas mãos.
Amar bibliotecária é... registrá-la como entrada principal, secundária e remissivas no seu coração.
Amar Bibliotecária é... legislar em comunhão a informação da vida a dois.

Organize suas idéias. Instale uma Bibliotecária na memória ROM dos teus pensamentos. Grave-a no disco rígido do seu coração. É o melhor antivírus contra a desinformação e o desamor.

Fernando Modesto

12 DE MARÇO

sexta-feira, 5 de março de 2010

Bibliotecária Brasileira

Agora chegou a vez
Vou cantar
Bibliotecária Brasileira
Em primeiro lugar...(4x)

Norte a sul
Do meu Brasil
Circula informando
Quem não viu
Profissional de verdade
Sim senhor
Bibliotecária brasileira
É competência e amor

Agora chegou a vez
Vou cantar
Bibliotecária brasileira
Em primeiro lugar...(2x)

Norte a sul
Do meu Brasil
Circula informando
Quem não viu
Profissional de verdade
Sim senhor
Bibliotecária brasileira
É competência e amor

Agora chegou a vez
Vou cantar
Bibliotecária brasileira
Em primeiro lugar...(7x)

(Livre adaptação de Fernando Modesto, baseado no poema de Benito Di Paula, Mulher Brasileira)